sábado, 24 de outubro de 2009
REPRODUÇÃO DE MATÉRIAS
24 de OUTUBRO DE 2009
Nota: Todos os posts do dia 24 de outubro de 2009 foram reproduzidos do site da AFAI - Associação dos Filhos e Amigos de Ipu.
Lançamento de Livro
IPU – DOS JORNAIS PARA O LIVRO
(jpMourão)

Por Olívio Martins de Souza Torres
Ao ser convidado pelo colega da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes, João Mourão
, para apresentar seu livro – o que muito me honrou – indaguei-lhe se essa apresentação seria para integrar o livro em tela ou apenas para ser feita no dia do lançamento ao público ledor. Eram as duas, pois o autor queria que a apresentação, em integrando o livro, ficasse junto com este para sempre, pois, como já diziam os romanos há mais de dois mil anos, “Verba volant, scripta manent”, ou seja, “as palavras voam, a escrita permanece”. Neste caso, o compromisso é maior, pois a apresentação verbal é passageira, esquecida dentro de pouco tempo.
Para ser breve, como recomenda o bom senso nessas ocasiões, não vou fazer um panegírico a João Pereira Mourão. Não vou, portanto, falar do militar da reserva, do poeta, do cronista, do jornalista, do acadêmico, do escritor e do empresário bem sucedido para quem a vida é um dever a ser cumprido a todo custo. Quero tão-somente ater-me ao livro, em boa hora lançado aos amantes da leitura.
A ipuensidade do livro IPU – DOS JORNAIS PARA O LIVRO, admirável e indiscutível em mil de seus aspectos, revela o amor que o autor nutre pela terra natal. É um livro lídima e genuinamente ipuense. De ipuenses são também a capa, as orelhas e a apresentação, bem assim a editora. O conteúdo é tipicamente ipuense. É um dilúvio de ipuensidade.
Quando o homem entra na chamada, eufemisticamente, terceira idade, sente inevitável o desejo de, no dizer de Machado de Assis, atar as duas pontas da vida. Ele quer ligar a maturidade à sua infância e à sua adolescência.
Foi isso o que percebi na obra IPU – DOS JORNAIS PARA O LIVRO (Reminiscências) do conterrâneo João Mourão
. São textos selecionados, escritos no período de 1967 até 2008.
João Mourão
, com seu acendrado amor a Ipu, quis cantar seu torrão natal como o fez o poeta Casimiro de Abreu no poema Minha Terra, cuja primeira estrofe vai aqui reproduzida:
“Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da Lira
Hei de fazê-la rainha;
Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha”.
E o autor encontrou motivos vários e razões suficientes para essa empreitada ao longo de dez lustros. Nessa narrativa histórica aborda diversos aspectos da vida da cidade, sua memória, seus personagens, praças e ruas, filhos ilustres, lendas, mitos, ícones, problemas pertinentes e perspectivas para o futuro.
Vou referir-me aqui apenas a alguns desses aspectos para não subtrair ao leitor a ânsia e a curiosidade de ler o livro de um só fôlego.
Ipu precisava falar é o ponto de partida do trabalho em lide, enfocando a necessidade de Ipu ter um porta-voz na imprensa cearense, já que os órgãos locais de divulgação anteriores tinham desaparecido ao longo do tempo. E isto se consubstanciou na coluna BICADAS DO IPU, no jornal O POVO, de Fortaleza, a cargo do autor.
A política, no município, é retratada com a posse, como prefeito de Ipu, do Dr. Rocha Aguiar, em 1967, que, durante sua administração, concluiu a Avenida da Municipalidade, antiga Rua do Papoco, posto que ela havia sido alargada na administração de Abdias Martins de Sousa Torres.
A propósito do nome dessa imponente avenida, disse-me o Dr. Rocha que a denominação Avenida da Municipalidade era uma homenagem a todos os prefeitos de Ipu, os que o foram e os que viessem a sê-lo. Foi, sem dúvida, uma ideia brilhante, consequente e justa. Somente para registro, naquele importante logradouro moraram os prefeitos de Ipu: Francisco Martins de Pinho, Abdias Martins de Sousa Torres, Zeferino Capistrano de Castro, Francisco Rocha Aguiar, Antonieta Aguiar e Simão Martins de Sousa Torres.
Um túmulo para a Mãe Ruiva foi uma forte e comovente reivindicação para fazer justiça a uma pessoa especial de Ipu que foi parteira de uma geração de mulheres que receberam seus filhos de suas santas mãos numa época em que a cidade não tinha ainda hospital especializado.
A construção da Praça Delmiro Gouveia foi marco de embelezamento de nossa urbe em homenagem ao grande empresário ipuense, nascido na Fazenda Boa Vista, que fez história em Pernambuco e em Alagoas, pioneiro de Paulo Afonso, cuja memória foi lembrada pelos escritores J.C. Alencar Araripe ( A Glória de um Pioneiro), Tadeu Rocha (Delmiro Gouveia – O Pioneiro de Paulo Afonso) e Francisco Magalhães Martins (Delmiro Gouveia – Pioneiro e Nacionalista), este último nosso conterrâneo.
A Bica do Ipu, ícone maior de nossa terra, também foi abordada no trabalho sob apreciação. Trata-se, indubitavelmente, de uma das Sete Maravilhas do Nordeste e quiçá do Brasil. De uma beleza encantadora e estonteante, quem a vê de perto, absorto em seus pensamentos a contemplá-la, certamente dirá como o poeta latino Virgílio – O Cisne de Mântua – “Deus nobis haec otia fecit”, isto é, “Deus nos concedeu este descanso”.
E, por último, reporta-se à denominação de Francisco da Silva Mourão dada ao Mercado Público de Ipu em função de projeto aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pela então prefeita Maria do Socorro Pereira Torres. Trata-se de uma justa homenagem ao Sr. Francisco Mourão pelos relevantes serviços prestados à comunidade ipuense. Homem respeitado e admirado por todos os conterrâneos - que nele viam uma pessoa de caráter ilibado - transmitiu aos filhos seus nobres e sólidos princípios éticos e morais. O “pater familias” Francisco da Silva Mourão faria hoje 102 anos se entre nós fisicamente estivesse, pois vivo está em nossa memória.
Alguns temas tratados neste livro, embora tenham sido abordados há décadas, são na realidade bem atuais. Também é de destacar a linguagem precisa, concisa e escorreita que permeia todo o livro.
Este não será o único trabalho do confrade da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes, João Mourão
. Outros virão, com certeza, pois sua mente é fértil e está pronta para receber a boa semente da escrita.
Como nos velhos tempos da Força Aérea Brasileira, só resta dizer: “Em frente, Mourão”!
Ao encerrar essas considerações, cabe-me comunicar-lhes, Senhoras e Senhores, que o banquete literário está posto à mesa com as iguarias típicas de Ipu.
Sirvam-se à vontade!
Muito obrigado!
Olívio Martins de Souza Torres
Ipu, 28 de fevereiro de 2009
05/03/2009
Aula dominical
NOVA ORTOGRAFIA DA
LÍNGUA PORTUGUESA
AULA DOMINICAL
3º domingo, 15/02/2009
Histórico das mudanças ortográficas da Língua Portuguesa:
A partir da segunda metade do século XVI, a língua portuguesa sofre influência do latim e da cultura grega, graças ao Renascimento e à necessidade de valorização do idioma.
O critério passa a ser o de respeitar as letras originárias das palavras, isto é, sua origem etimológica.
Usam-se a) ph, th, ch, rh e y, que representavam fonemas gregos: philosophia, theatro, chimica (química), rheumatismo, marthyr, sepulchro, thesouro, lyrio; b) consoantes mudas: septembro, enxucto, maligno; c) consoantes duplas: approximar, immundos.
No início do século XIX, o escritor Almeida Garrett defende a simplificação da escrita e critica a ausência de normas que regularizem a ortografia.
No final do século XIX, cada um escreve da maneira que acha mais adequada.
(Na próxima semana, mostraremos a situação ortográfica a partir de 1881.)
Mudanças de hoje:
Os ditongos abertos tônicos éi e ói não são mais acentuados graficamente: ideia, heroico, jiboia, alcateia, boleia, apneia, colmeia, geleia, ureia, epopeia, etc.
As formas verbais que contêm eem não são mais assinaladas com acento circunflexo: creem, deem, descreem, desdeem, leem, preveem, redeem, releem, reveem, tresleem, veem, etc.
ATENÇÃO! A pronúncia continua a mesma; não houve alteração.
(In Português do dia-a-dia, 2ª edição, Valdemir Mourão).
Professor Valdemir Mourão
valdemirmourao@yahoo.com.br
15/02/2009
Aula dominical
NOVA ORTOGRAFIA DA
LÍNGUA PORTUGUESA
AULA DOMINICAL
2º domingo, 08/02/2009
(Continuação)
As letras k, w e y são usadas em casos especiais: a) em nomes de pessoas de origem estrangeira e seus derivados: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Byron, byroniano. b) em nomes geográficos próprios de origem estrangeira e seus derivados: Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano; Okinawa, okinawano; Seychelles, seychellense. c) em siglas, símbolos e palavras adotadas com unidades de medida: WWW (World Wide Web); K (maiúsculo, símbolo químico de potássio); W (maiúsculo, de west, oeste); kg (minúsculo, quilograma); km (minúsculo, quilômetro); kW (k minúsculo, kilowatt); yd (de yard, jarda).
Histórico das mudanças ortográficas da Língua Portuguesa:
Entre os séculos XII a XV surgem os primeiros documentos escritos em português. A ortografia portuguesa tenta reproduzir os sons da fala para facilitar a leitura:
1) A duplicação das vogais indica sílaba tônica: ceeo = céu; dooe = dói. 2) A nasalização das vogais é representada pelo til (manhãas = manhãs), por dois acentos (mááos = mãos) e por m e n (omde = onde; senpre = sempre). 3) O i pode ser substituído por y ou j (ay = ai; mjnas = minhas).
Vale lembrar que nesta época não havia uma padronização e uma mesma palavra aparece grafada de modos diferentes: ygreja, eygreya, eygleyga, eigreia (= igreja); home, homee, ome, omee (= homem);
Duas capas de Os Lusíadas (1572 e 1584) mostram o nome do poeta grafado de maneiras diferentes: Luis de Camões (til em cima do e; não consegui colocá-lo) e Luis de Camões.
(Acordo ortográfico atual) Vogais átonas: Os adjetivos e substantivos derivados com terminação iano e iense são escritos com i, e não com e, antes da sílaba tônica. Exemplos: acriano (de Acre), açoriano, camiliano, camoniano, ciceroniano, eciano, freudiano, goisiano (relativo a Damião de Góis), sofocliano, torriano (de Torres), zwingliano (Ulrich Zwingli), etc.
(In Português do dia-a-dia, 2ª edição, Valdemir Mourão).
Professor Valdemir Mourão
valdemirmourao@yahoo.com.br
08/02/2009
Aula dominical
NOVA ORTOGRAFIA DA
LÍNGUA PORTUGUESA
AULA DOMINICAL
1º domingo, 01/02/2009
Países que adotam a Língua Portuguesa como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste.
Número de falantes: cerca de 230.000.000 (duzentos e trinta milhões).
1. É suprimido inteiramente o trema da Língua Portuguesa. Exemplos: frequência, tranquilo, linguista, cinquenta, pinguim, liquidificador, eloquente, consequência, aguentar, arguir, etc.
2. Conserva-se, todavia, o trema em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Exemplos: mülleriano, de Müller, hübneriano, de Hübner, etc.
3. Nosso alfabeto passa agora a ter 26 letras, sendo incorporadas as letras k, w e y.
Professor Valdemir Mourão
valdemirmourao@yahoo.com.br
01/02/2009
Lançamento de Livro
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13/01/2009
Reunião
ATA DA REUNIÃO DA ACADEMIA IPUENSE DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES
Local: Academia Cearense de Letras
Data: 13/12/2008 : Horário: 10h
Participantes: Manuel Evander Uchôa Lopes (Presidente)
Cláudio César Magalhães Martins (Secretário Geral)
Olívio Martins de Souza Torres (Tesoureiro)
João Pereira Mourão ( Acadêmico)
José Sólon Sales e Silva (Acadêmico)
José Airton Pereira Soares (Acadêmico)
Ana Lucila Aires Martins ( Acadêmica)
Maria de Jesus Lima (Acadêmica)
Maria Vanda Torquato Scorsafava (Acadêmica)
Tobias Marques Sampaio ( Acadêmico)
Maria Iara Costa Uchoa Lopes (Convidada)
Celina Maria Lima Mourão (Convidada)
Francisco Airton Ferro Marinho (Convidado)
Dando início aos trabalhos, o Presidente invocou a proteção divina, solicitando, a seguir, ao Secretário Geral, que procedesse à leitura da ata da sessão anterior, realizada em 11/10/2008, a qual foi aprovada sem ressalvas.
Ato contínuo, deu ciência de correspondência datada de 22.07.08, dirigida ao Sr. Antônio Ramos Pontes, incluindo-o na AILCA como Acadêmico Correspondente, por indicação da Acadêmica Maria da Conceição Viana; solicitava-se, na oportunidade, que o novo Acadêmico manifestasse a sua aquiescência e remetesse o seu “Curriculum Vitae”. Até o presente, não houve resposta da parte do citado senhor. Dando seqüência, o Presidente fez algumas comunicações aos presentes, a saber: 1) a próxima reunião da Academia realizar-se-á em Ipu, no auditório do Patronato Milton de Souza Carvalho, às 20h do dia 16/01/2009; nessa reunião, será comemorado o 3º aniversário da AILCA e se dará a posse de 4 novos acadêmicos: Abílio Lourenço Martins, Antônio Tarcízio Aragão (Boris), Antônio Vagner Martins de Paiva e Henrique Augusto Pereira Pontes (Guto); 2) no dia seguinte, ocorrerá a Festa do Reencontro, na Praça da Igrejinha; 3) quanto ao desejo de descendentes do arquiteto Arquimedes Memória de lançarem um livro por ocasião dos festejos, a Academia prestará todo apoio, mas não irá comprometer-se a organizar o evento; 4) informou haver recebido, do Dr. Francisco Airton Ferro Marinho, o livro “Achado Casual -Antologia Sobrames-CE/2008”, organizado por Antero Coelho Neto, que o doou à AILCA. Em prosseguimento, a Acadêmica Ana Lucila apresentou convite que lhe foi dirigido pela Galeria de Arte Popular Brasileira para participar, como expositora, da 3ª Mostra do “Pintando o Nordeste” 2008/2009, exposição realizada no dia 28 de novembro último.
A seguir, na ordem do dia, foi concedida a palavra ao Acadêmico José Solon Sales e Silva para proferir palestra intitulada “ENSAIO SOBRE REGISTROS DE IPU PELOS ESCRITORES DOS SÉCULOS XIX E XX”. A palestra se propunha a abordar os seguintes itens:
1. Os Escritores e os Registros
2. Paisagem do Século XIX
3. Fisiografia e Corografia
4. Economia e Produção
5. Ipuenses na Igreja
6. Destaques além Fronteiras
7. Tipos Populares de Antanho
8. Reminiscências da Cultura Popular
9. Conclusão
De início, o conferencista registrou que “somente parte do trabalho” seria apresentada nesta reunião, ficando o restante para uma próxima oportunidade, considerando-se a extensão do assunto. No item “1. Os Escritores e os Registros”: é feita referência à Revista do Instituto do Ceará, de 1897, onde se faz menção ao Ipu como distrito de Vila de El Rey, também conhecida por Campo Grande, situada no cume da Serra dos Cocos. Outra obra que traz detalhamento sobre o Ipu, datada de 1864, é o “Ensaio Estatístico da Província do Ceará, Tomo II”, de Thomaz Pompeo de Sousa Brasil, que aborda a localização, aspectos físicos, natureza do solo, corografia, hidrografia, produção econômica, capelas, povoados e população. Outra obra sobre o assunto é “Notas de Viagem”, de autoria de Antônio Bezerra, publicada em 1889 e que aborda o Ipu dos anos 80 do século XIX. Em 1892, vem a lume o livro “Notas para a História do Ceará”, escrito por Guilherme Studart, onde é registrada a criação de Ipu como Vila Nova d’el Rei, em 1791. Em
Dando continuidade, o Presidente Manuel Evander Uchoa Lopes solicitou ao palestrante que disponibilizasse o texto de sua conferência para ser inserido no site da AILCA.
Ato contínuo, a Acadêmica Maria Vanda Torquato Scorsafava distribuiu, entre os presentes, a “Oração de S. Francisco”, que foi rezada por todos. Por fim, o Acadêmico João Pereira Mourão anunciou que, em breve, estará publicando um livro intitulado “Ipu – dos Jornais para o Livro”, onde é contada a sua vida de jornalista.
Nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a reunião e, para constar, eu, Cláudio César Magalhães Martins, lavrei a presente ata, que, após lida e aprovada, será assinada por mim e pelo Presidente da AILCA.
CLÁUDIO CÉSAR MAGALHÃES MARTINS
Secretário-Geral
MANUEL EVANDER UCHÔA LOPES
Presidente
09/01/2009
Reunião
A ACADEMIA IPUENSE DE LETRAS, CIÊNCIAS E ARTES realizou sua reunião ordinária mensal sábado próximo passado, dia 1º de novembro, em sua sede, localizada na Rua Padre Mororó,800, em Ipu-CE.
Estiveram presentes àquela reunião os acadêmicos Francisco de Assis Martins (1º Vice-Presidente), Francisco Luciano de Paiva, Marcos Evangelista de Paiva e as acadêmicas Natália Maria Viana Soares Lopes (Secretária Geral- Adjunta ), Maria Eunice Martins Melo Aragão (Diretora de Patrimônio) e Maria da Conceição Viana.
Durante a ordem do dia da reunião foram aprovados para compor o quadro de Acadêmicos Titulares, os senhores Antônio Tarcizio Aragão, Abílio Lourenço Martins e Henrique Augusto Pereira Pontes, que deverão ser empossados juntamente com o Dr.Antônio Vágner Martins de Paiva em reunião solene no dia 16/Jan/2009 em Ipu.
A reunião que transcorreu em um clima de paz e harmonia foi enriquecida com uma brilhante palestra do Acadêmico Marcos Evangelista de Paiva que abordou o tema "A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E O BRASIL", que suscitou um sádio e construtivo debate entre os que lá se encontravam.
A Academia, cumprindo seu papel de divulgar a cultura e debater assuntos de interesse de nossa sociedade, agradece a todos que prestigiaram enriqueceram nossa reunião ordinária.
Manuel Evander Uchôa Lopes
4/11/2008
Machado de Assis
MACHADO DE ASSIS E O CONTEXTO HISTÓRICO EM QUE VIVEU
Por Cláudio César Magalhães Martins
(Palestra proferida por ocasião do 1º Centenário da morte de Machado de Assis, na sessão da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), realizada em 20.09.2008)
BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento (Rio de Janeiro) em 21.06.1839. Era filho de Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de Assis e neto de escravos alforriados. Sua instrução deu-se por conta própria, devido ao interesse que tinha em todos os tipos de leitura. Graças ao seu talento e enorme força de vontade, veio a superar todas essas dificuldades, tornando-se um dos maiores escritores da Literatura Brasileira, em todos os tempos.
Entre os 6 e os 14 anos, Machado perdeu sua única irmã, a mãe e o pai. Aos 16 anos, empregou-se em uma tipografia como aprendiz, tendo, nessa época, publicado seus primeiros versos no jornal A Marmota. Escrevia também para as revistas O Espelho, a Semana Ilustrada (onde, além do próprio nome, usava o pseudônimo Dr. Semana) e também para o Jornal das Famílias. Em 1860, foi convidado por Quintino Bocaiúva para colaborar no Diário do Rio de Janeiro. Datam dessa década quase todas as suas comédias teatrais e o livro de poemas Crisálidas.
Seu primeiro livro veio a lume em 1861, com o título A Queda que as mulheres têm para os tolos), onde aparece como tradutor. No ano de 1862, era censor teatral, cargo que não lhe rendia qualquer remuneração, mas lhe dava livre acesso aos teatros. Nessa época, passa a colaborar com o periódico O Futuro, dirigido pelo irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.
O mês de agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino e, três meses depois, em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. Esse casamento ocorreu contra a vontade da família da moça, uma vez que Machado apresentava mais problemas do que fama. Essa união durou cerca de 35 anos e o casal não teve filhos. Carolina contribuiu para o amadurecimento intelectual do escritor, revelando-lhe os clássicos portugueses, bem como vários autores da língua inglesa.
Nessa época, Machado era um típico homem de letras brasileiro, bem-sucedido e confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz.
Na década de 1870, publica os poemas As Falenas e Americanas, além dos Contos Fluminenses e Histórias da Meia-Noite. O público e a crítica consagraram seus méritos de escritor. Publicou os romances Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Tais obras constituem a fase romântica de Machado de Assis.
Em 1873, o escritor foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Sua carreira burocrática teve uma ascensão muito rápida, uma vez que, em 1892, já era diretor geral do Ministério da Viação. O emprego público garantiu-lhe a estabilidade financeira, uma vez que viver de literatura naquela época, como hoje, era praticamente impossível, mesmo para os bons escritores.
Na década de 1880, a obra de Machado sofreu uma verdadeira revolução em termos de estilo e conteúdo, inaugurando o Realismo na Literatura Brasileira. Os romances Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899) e os contos Papéis Avulsos (1882), Histórias sem Data (1884), Várias Histórias (1896) e Páginas Recolhidas (1899), dentre outros, revelam o autor em sua plenitude. O espírito crítico, a grande ironia, o pessimismo e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira, são as suas marcas características.
Em 1897, Machado funda a Academia Brasileira de Letras, sendo eleito seu primeiro presidente. Até os dias de hoje a instituição é conhecida como A Casa de Machado de Assis. Ocupou a cadeira Nº 23, de cujo patrono, José Martiniano de Alencar, foi amigo e admirador.
Em 1904, falece sua esposa Carolina, o que representou um duro golpe para o escritor. O antológico soneto À Carolina que o diga. Depois disso, raramente passou a sair de casa e sua saúde foi piorando por causa da epilepsia. Os problemas nervosos e sua gagueira contribuíram ainda mais para o seu isolamento. Datam dessa época seus últimos romances Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).
Machado morreu no dia 29 de setembro de 1908 em sua casa, situada na Rua Cosme Velho. Foi decretado luto oficial no Rio de Janeiro e seu sepultamento, acompanhado por uma multidão, atesta a fama alcançada pelo autor.
Dizem os críticos que Machado era “urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou as questões sociais, como a Independência do Brasil e a abolição da escravatura; passou ao largo do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar... Sua obra divide-se em duas fases: uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (em seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que ele se afaste de seus contemporâneos.
O fato de ter escrito em português, uma língua de poucos leitores, tornou difícil o reconhecimento internacional do autor. Recentemente, porém, suas obras têm sido traduzidas para o inglês, o francês, o espanhol e o alemão, despertando interesse mundial. De fato, trata-se de um dos grandes nomes do Realismo, que se pode colocar lado a lado ao francês Flaubert ou ao russo Dostoievski, apenas para citar dois dos maiores autores do mesmo período, na literatura universal.
CONTEXTO HISTÓRICO
A vida de Machado de Assis transcorreu, em sua maior parte, no período do 2º Império, não obstante ter o autor vivenciado quase duas décadas de República. Ninguém, contudo, se deve enganar com o “painel aparente da sociedade” da época em que viveu, no dizer de Raymundo Faoro. Figuras dominantes de seu tempo, como barões, conselheiros, comendadores, patentes da Guarda Nacional, ministros e regentes, enchem a vista do leitor, todos eles cheios de ambições caladas e ambições descobertas. Em nível próximo, ainda segundo Faoro, “vêm os banqueiros, capitalistas, fazendeiros e comerciantes. Todos, barões e capitalistas, conselheiros e banqueiros, comendadores e comerciantes, coronéis e fazendeiros – todos estão, para quem olha de longe, no ápice da pirâmide, confundidos e misturados, como se fossem membros de uma só confraria.” A estrutura de classes, composta por banqueiros, comerciantes e fazendeiros se sobrepõe sobre outra estrutura de titulares, a chamada “camada da penumbra”, que decide os destinos políticos, designa deputados e distribui empregos públicos.
Há uma sociedade de classes em plena expansão, na qual sobressaem os banqueiros, os prósperos comerciantes, os capitalistas e donos de rendas, os senhores de terras e os escravos. O dinheiro, como sempre o foi, constitui a chave e o deus desse mundo, mensurando todas as coisas e todos os homens.
No campo político, a figura do imperador avulta como a cúpula e o árbitro do sistema político. D. Pedro II, na obra machadiana, representa um verdadeiro mito, que o eleva nas ruas, no coche e no jogo político. Acima das conjeturas e insinuações, o imperador domina as imaginações, freqüenta os sonhos e se esgueira na fantasia. É ele que detém a chave de todas as carreiras e de todos os mecanismos da intrincada arena pública. A ele competia o Poder Moderador da Constituição de 1824, a ele cabia nomear e demitir ministros, mesmo desrespeitando a maioria parlamentar.
Machado, entretanto, perspicaz como era, sabia muito bem que, por trás do poder pessoal do imperador, escondia-se uma oligarquia, embora controlada e regida com rédeas curtas. Junto ao árbitro das situações está o homem que a camarilha do poder engana e enreda. Ele não é imune à lisonja nem à politicalha cujas manobras promovem a distribuição de títulos e comendas.
No romance Quincas Borba, conforme nos narra Raymundo Faoro, surge a figura do deputado Teófilo, que, “frustrado na ambição ministerial, põe a culpa do insucesso nas camarilhas que cercam o imperador. Por via indireta, acusa o chefe de Estado, desatento às manobras que se urdem nas suas veneráveis barbas. Mas, em nome de que princípio extravasa a censura e a decepção amarga ? Se os ministérios já vinham organizados de S. Cristóvão, sem que os partidos interviessem na sua elaboração, alguma coisa estava errada. Teófilo não indaga de causas muito remotas, coerente com seu estilo pragmático, e vê a raiz do mal nas informações pouco verdadeiras que os políticos levam ao paço, informações manipuladas e enredadas nos interesses próprios (Quincas Borba, Cap. 7).
A obra machadiana desenrola-se no espaço de 50 anos: entre 1840 e 1890. Nesses 50 anos grande foi a vibração econômica, com a definitiva ascendência do café, com a criação dos bancos e com as primeiras tentativas industriais; nesse período ocorreram episódios marcantes de nossa História, como a extinção do tráfico negreiro, a abolição e o conseqüente emprego de mão-de-obra livre no campo e nas cidades. Muita gente enriqueceu e muita gente se arruinou, ao tempo da abertura das estradas de ferro e das profundas transformações urbanas. Nessa época, o Rio de Janeiro torna-se uma grande metrópole, atingindo 415.000 habitantes em 1890. Um evento econômico de grande repercussão, nesse período, foi o encilhamento, forte movimento especulativo na bolsa de valores, nos primeiros anos da República. A crise teve início com a gestão do último ministro do Império, o Visconde de Ouro Preto, e o primeiro ministro da Fazenda republicano, Ruy Barbosa, visando aquele minorar os efeitos da abolição e este impulsionar a iniciativa privada. Tentou Ruy desenvolver os bancos emissores, o que ensejou o surgimento de numerosas companhias de investimento. O resultado dessa política foi uma enorme inflação, ocasionada pela compra incontrolada de ações de companhias inconsistentes e até imaginárias. Vejam como a História se repete. Com a saída de Ruy Barbosa do ministério, a situação agravou-se . O câmbio, que mantinha uma paridade de 27 dólares por 1.000 réis, à data da Proclamação da República, em 1889, caiu para 10 dólares em 1892. O aumento do custo de vida que então se verificou não impressionou Machado em seus escritos. Limitou-se o escritor a registrar a opulência dos novos ricos e o escândalo das torrentes de títulos que inundaram a bolsa do Rio. Somente uma ou outra vez o cronista alude à taxa de câmbio, cujas alterações tiveram graves repercussões no valor das mercadorias importadas, num período em que grande parte do consumo era de origem européia.
No contexto de então, formou-se uma classe de pessoas que viviam de rendas, os capitalistas, com “a fortuna de não comprar pão com o suor do rosto” (I,549). Segundo nos narra Raymundo Faoro, “durante 54 anos – de 1827 a 1881 -, o período mais florescente do Império, o índice do custo de vida subiu apenas de 153 a 190 (índice 100, em 1829), sem que pusesse em risco as rendas prefixadas, sugerindo estabilidade e a consciência de estabilidade monetária. Não é aceitável, à luz dos números, que os produtores e exportadores tenham incentivado a inflação ou dela se beneficiado, ganhando com os preços mais altos a vantagem sobre os custos, mais lentos em se elevarem.” Duas classes, em especial, eram protegidas pela política do Império: a dos importadores, composta quase todas por estrangeiros (ingleses, franceses e portugueses) e a dos credores, o mal estudado e obscurecido grupo dos financiadores da produção agrícola, dos bens de consumo e, sobretudo, de escravos.
Sem dúvida, os capitalistas constituíam a classe privilegiada, possuidores que eram de terras, escravos, casas de aluguel, apólices e ações. Formavam a categoria dos rentiers, pessoas que vivem de rendas, usufruídas dos ativos acima mencionados. Não é o comércio que os orienta, mas a formação de patrimônio. Privilegiavam o consumo ostentatório, viviam na ociosidade, não lhes ocorrendo empregar seus recursos em empreendimentos industriais, comerciais e mesmo agrícolas. Distingue-os o apego à tradição e certos aspectos educacionais, considerados superiores, como modelos hieráticos de conduta social e política. Coube a Machado de Assis, pela primeira vez na ficção brasileira, retratar os costumes então vigentes. Desmascarar tais personagens representou o fio condutor de sua obra. Há, no processo íntimo desse desmascaramento, censuras éticas e morais. Para Machado, ser proprietário não é imoral, mas a ociosidade, comum em suas personagens, não merece aprovação ética incondicional. Como acentua Faoro, “ganhar dinheiro com a especulação de negócios, ações e valores é detestável e repelente.” O desaparecimento dos homens bons do Brasil colonial e sua substituição por traficantes e banqueiros lhe parece altamente criticável. Na ânsia de se nobilitar, o rico sofre uma transformação interior por força do dinheiro. É assim que o personagem Santos, especulador da praça, faz-se barão. D. Plácida, protetora de amores encobertos, graças a um pecúlio de cinco contos de réis, reza pelo êxito da ligação adúltera. Prudêncio, ex-escravo, devolve as pancadas recebidas a um escravo que adquirira.
Em resumo: o Machado ficcionista e cronista viveu 50 anos dentro do Segundo Reinado. No dizer de Faoro, “retratou e elaborou uma sociedade decantada, filtrada, construída a partir de personagens, transformados em homens, escravos e capitalistas, bacharéis e deputados, banqueiros e poetas.” Com a proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, ocorreu profunda alteração social e política, mudando profundamente as estruturas do poder. Deodoro da Fonseca é apenas um símbolo. O Exército passou a dar as cartas. Suas queixas, bem acerbas, não se dirigiam especificamente à monarquia, mas à sociedade brasileira de então, onde preponderava o bacharelismo tagarela e invasor, muitas vezes mal-intencionado, atrasado em suas concepções e acanhado em suas aspirações. Tendo ascendido ao poder, os militares começam a enfrentar resistências. Um jornalista da época assim retratou a situação: “A luta vai ser entre o exército estragado pelos jornalistas ambiciosos, pelos professores pedantes, entre esse exército político, servido por seus escribas e que não quererá largar a rendosa tirania, e a sociedade civil que terá de reagir ou de se aniquilar. A nação terá de mudar ou de devorar o exército político ou o exército político acabará de humilhar e de devorar a nação.” Machado de Assis não nutria grandes simpatias pelos militares no poder. Seus personagens caricaturais de militares bem atestam sua posição. O tenente Porfírio (As bodas de Luís Duarte), o major Lopo Alves (A chinela turca) e o major Siqueira (Quincas Borba) retratam tipos, se não desprezíveis e ridículos, pelos menos pouco edificantes. O tenente Porfírio foi caracterizado como “orador de sobremesa”. Raro era o domingo ou dia de festa que jantava em casa. Convidava-se o tenente Porfírio com a condição tácita de fazer um discurso, como se convida um músico para tocar. Estava ele entre o creme e o café. “O bom homem, se bem falava, melhor comia.” O major Lopo Alves caracterizava-se por ser “um dos sujeitos mais enfadonhos do seu tempo”. O major castiga o bacharel Duarte, pronto para um baile, com a leitura de um longo dramalhão. Eis aí o símbolo da inoportunidade e da falta de bom senso. Já o major Siqueira ansiava por galgar altos postos na hierarquia militar visando, ao menos, promover o casamento de uma filha solteirona. Eis aí um breve retrato traçado pelo escritor do que ele achava da ascensão dos militares ao poder.
A OBRA MACHADIANA
Traçado o perfil biográfico e o contexto histórico em que viveu Machado de Assis, cumpre-nos agora falar de sua obra, desenvolvida ao longo de 50 anos de contínuo amadurecimento e aperfeiçoamento. Podemos dividi-la em 5 segmentos: o teatro, a crônica e a crítica, a poesia, o romance e o conto. Tentamos, ao estabelecer esta ordem de gêneros literários abordados por Machado, criar uma seqüência hierárquica onde a excelência cresce de forma contínua.
O Teatro
Segundo Afrânio Peixoto, as incursões de Machado no campo teatral tiveram início em 1861, com a publicação da peça Queda que as Mulheres têm para os Tolos (que me desculpem as mulheres aqui presentes). Neste mesmo ano, lança Hoje Avental, amanhã Luva. Tais produções eram altamente influenciadas pelas leituras francesas do autor, que nunca se considerou um grande teatrólogo. Tanto é que, em carta enviada ao amigo Quintino Bocaiúva, assim se expressou Machado: “Tenho o teatro por coisa muito séria e as minhas forças por coisa muito insuficiente.” No ano seguinte, publica O Caminho da Porta e O Protocolo, consideradas por Quintino “valiosas como artefatos literários”, mas “frias e insensíveis como todo o sujeito sem alma”. E deseja que Machado apresente “nesse mesmo gênero, algum trabalho mais sério, mais novo, mais original e mais completo.”
Procurando seguir os conselhos do amigo, publica Machado, em 1863, uma nova comédia – Quase Ministro, e, em dezembro de 1865, Os Deuses de Casaca, elaborada em versos alexandrinos. Mas, decididamente, o teatro não é o seu forte. Faltava-lhe aptidão para o gênero: a criação de conflitos entre os personagens, a movimentação do drama e o clima capaz de transmiti-lo. Razão tinha Quintino Bocaiúva em classificar as peças machadianas de bem escritas, mas com falta de idéia e, portanto, de base, além de serem modeladas “ao gosto dos provérbios franceses.”
A Crônica e a Crítica
O cronista Machado de Assis tem sido quase unanimemente louvado pela crítica. Além do alto valor intrínseco de suas crônicas, possuem elas elevado interesse documental, uma vez que refletem o contexto social e político vivido no Segundo Império. Ouçamos o que nos diz Afrânio Coutinho: “Flexível, plástico, polimorfo, o gênero fornecia-lhe recursos em que seu espírito bisbilhoteiro se sentia à vontade, fundindo o humorismo, a tendência a meditar acerca do destino, o pendor à galhofa, o gosto de brincar com o personagem humano, a grande galeria de bonecos de seu teatrinho de marionetes.” As primeiras crônicas machadianas datam de 1859, estendendo-se até o ano de 1904. Suas colaborações ocorreram em veículos de comunicação como O Espelho (1859), Diário do Rio de Janeiro (1861-67), O Futuro (1862-63), Semana Ilustrada (1872-73), Ilustração Brasileira (1876-78), O Cruzeiro (1878) e Gazeta de Notícias (1881-1904). Vários foram os pseudônimos utilizados pelo Machado cronista: Gil, Dr. Semana, Manassés, João das Regras, Job etc.. As crônicas foram reunidas em livro somente em 1910, dois anos após a morte do autor, por Mário de Alencar (filho de José de Alencar).
Quanto à Crítica, o mesmo Mário de Alencar, após informar que Machado havia estreado nas letras exatamente por esse gênero literário, chegou a afirmar que “era esta a feição principal do seu engenho”, afirmativa da qual discordamos. Justificando sua posição, diz Mário: “Ele era um crítico exímio e seria, querendo-o, um dos melhores que já escreveram em língua portuguesa. Possuía, para o ser, todas as qualidades: o conhecimento das literaturas estrangeiras e da nacional, o conceito esclarecido, a isenção do espírito, e a capacidade rara de abstrair o próprio gosto pela justa apreciação das idéias e processos de autores e de escolas.”
Para Gustavo Corção, “deveríamos dividir o gênero (da crônica) em duas espécies: de um lado, teríamos as crônicas que se submetem aos fatos, e que pretendem fornecer material contemporâneo à peneira dos historiadores; e de outro lado teríamos aquelas crônicas que se servem dos fatos para superá-los, ou que tomam os fatos do tempo como pretextos para as divagações que escapam à ordem dos tempos.” Machado se insere nessa segunda categoria, em que os fatos não valem por si mesmos. Tristão de Ataíde ressalta “a maneira leve de tratar as coisas graves, e a maneira grave de tratar as coisas leves. Dir-se-ia que o autor não leva os acontecimentos que têm dimensões nacionais ou universais, e não faz outra coisa, em suas crônicas, senão brincar, ou molhar a pena da galhofa na tinta da melancolia.” E conclui: “Se não conhecêssemos nada da vida de Machado de Assis, se não soubéssemos que foi funcionário exemplar, marido exemplar, acadêmico exemplar, que, em suma, foi homem que levou profundamente a sério seus diversos deveres, poderíamos interpretar suas crônicas como obra de disponibilidade e de displicência. Fatos da atualidade merecem de Machado atenção curiosa, mas o autor não se prende demais a eles. E tal desapego, compensado pela genialidade, faz as crônicas machadianas sempre atuais, ao contrário daquelas crônicas que se submetem “aos prestígios da atualidade.”
A Poesia
A poesia de Machado de Assis, embora apresente momentos de grande genialidade, não se compara aos méritos do autor como romancista e, sobretudo, como contista. Para o poeta Manuel Bandeira, “o Machado de Assis poeta tornou-se uma vítima do Machado de Assis prosador.” Mesmo assim, não se pode ignorar a beleza e profundidade de poemas como “Círculo Vicioso”, “Soneto de Natal”, “Mundo Interior” e o sempre citado soneto “A Carolina”, onde o poeta revela, de forma genial, todo o amor que tinha para com a sua falecida esposa. Em “Uma Criatura”, Machado põe a nu o pessimismo irônico e o estilo conciso e seco que caracterizam toda sua obra. Além de poesias de sua própria lavra, o autor dedicou-se à tradução de poemas de grande apelo universal, como “Os Deuses da Grécia” de Schiller, e “O Corvo”, de Edgard Allan Poe. O poeta Machado estreou no gênero da poesia aos 25 anos, em 1864, com o livro “Crisálidas”, quando fazia parte de um grupo de jovens que freqüentavam a casa de Caetano Filgueiras. “Todos eles foram para a morte, ainda na flor da idade”, dizia ele mais tarde, e, exceto Casimiro de Abreu, nenhum se salvou.” Manuel Bandeira destaca um verso de Machado, inserido em “Falenas” como uma “deliciosa imagem da puberdade” e de profundo lirismo:
“Entreaberto botão, entrefechada rosa,
Um pouco de menina e um pouco de mulher.”
Aos 40 anos, com a publicação de Ocidentais, Machado de Assis praticamente encerrou sua carreira de poeta. Sua propensão para explorar o mundo interior absorveu por completo os seus dons de artista. Concluímos a análise da poesia machadiana com este brilhante depoimento do grande Manuel Bandeira: “A universal insatisfação dos seres eternamente presos à sua condição (“Círculo Vicioso”), a paradoxal força de destruição da vida (“Uma Criatura”), o riso do deus enfermo, aborrecido da divindade e da eternidade (”A Artur de Oliveira”), o gozo de ver o padecimento alheio (“Suave Mari Magno”), a ânsia de descobrir a verdade sob as aparências do mundo, de ver “como em água que deixa o fundo descoberto” os segredos dos corações (“A Mosca Azul”), a melancolia de não encontrar mais numa noite de Natal as sensações da idade antiga (“Soneto de Natal”), a melancolia da velhice (“No Alto”), eis os temas que cristalizaram as melhores energias poéticas do Mestre. São os mesmos temas das suas obras-primas do romance e do conto. A vida dos seus semelhantes lhe fornecia maior variedade de gestos com que exprimir as dolorosas conclusões da sua análise implacável.”
O Romance
A estréia de Machado de Assis como romancista deu-se em 1871 com o romance Ressurreição. O autor, no prólogo do livro, afirma não haver desejado fazer um “romance de costumes” “Tentei -diz ele – o esboço de uma situação e o contraste de dois caracteres; com esses simples elementos busquei o interesse do livro. A crítica decidirá se a obra corresponde ao intuito e, sobretudo, se o operário tem jeito para ela.” Seguiram-se “A Mão e a Luva”, “Helena” e “Iaiá Garcia”, até chegarmos a “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, publicado na Revista Brasileira, em 1880, quando Machado atravessava a crise dos 40 anos. Este último romance marca um ponto de inflexão, inaugurando uma nova fase de sua carreira artística. O próprio autor reconhece que “há na alma deste livro, por mais risonho que pareça, um sentimento amargo e áspero.” Famosa e lúgubre é a dedicatória do romance: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico, com saudosa lembrança, estas memórias póstumas.” O livro começa com o delírio de Brás Cubas na hora de sua morte. Confessa ele que “não é propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço.” O moribundo vê desfilarem os séculos “em vertiginosa corrida”, esperando encontrar no último “a decifração da eternidade.” O humorismo aí contido é bizarro e excêntrico, mostrando, numa afirmação dolorida, o absurdo da vida. Há na obra uma sátira ao Naturalismo evolucionista e ao Positivismo, vigentes na época, retratada na teoria de um filósofo louco – Quincas Borba –, companheiro de infância de Brás Cubas, que Machado chama de Humanitismo. Não obstante a atmosfera lúgubre e macabra do livro, a genialidade do autor leva o leitor a divertir-se pelo humorismo cortante e inteligente que perpassa a obra. Nas palavras de Afrânio Coutinho, trata-se de um ”livro esquisito, arbitrário, carregado de ditos, reflexões, narrado antes que vivido. (...) Quer parecer um livro de intenções puramente humorísticas, mas é de uma amargura indisfarçável.” As obras que se seguem – “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires” denotam a evolução artística e estilística do autor. Quincas Borba, editado em 1891, é considerado “o mais arejado dos seus livros e o que apresenta a melhor dramatização.” O herói do livro, Rubião, indo de Minas para o Rio de Janeiro, apaixona-se pela bela Sofia, acabando por perder “a fortuna, o amor e a razão.” Após dilapidar a fortuna e de resistir ao seu amor impossível, Rubião termina louco, face à indiferença da bela senhora, e vaiado nas ruas pelas crianças, uma das quais havia sido salva por ele de um atropelamento. Machado quer mostrar, no romance, a indiferença universal diante da dor humana, e o abandono do homem de qualquer ajuda do sobrenatural. Falemos um pouco de D. Casmurro, considerado por muitos como sua obra-prima. Trata-se de uma obra de inspiração proustiana, embora sem aquela convicção metafísica que dá à técnica de Proust um ar de eficácia. Bentinho e Capitu, namorados desde a infância, retratam dois caracteres absolutamente contrastantes. Enquanto Capitu, de “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, tem um caráter forte, Bentinho mostra-se tímido e inexperiente em assuntos do coração. E é o espírito inventivo de Capitu que salva o amor de ambos, ameaçado pela promessa da mãe de Bentinho de interná-lo em um seminário. Capitu contorna a dificuldade: seu namorado irá para o seminário, mas não chegará a ordenar-se padre, pois a vocação era ela. No seminário, Bentinho se faz amigo de Ezequiel de Sousa Escobar, que depois passa a relacionar-se com sua família, da qual Capitu se fazia participante. Anos mais tarde, Bentinho se casa com Capitu, enquanto Escobar se casa com uma amiga desta. Os dois casais tornam-se íntimos, têm filhos e prosperam. Começa, então, uma tragédia familiar, já sugerida ao longo do romance, de forma sutil e discreta. Ezequiel Escobar morre subitamente em um banho de mar. Capitu mostra-se desolada e confirma as dúvidas de Bentinho, ao perceber este a grande semelhança de seu único filho com o amigo falecido. Evidencia-se, então, a infidelidade de Capitu, manifestada já na infância e consumada após o seu casamento. Dentro de seu pessimismo, Machado traça uma analogia cruel de Capitu com a vida. Infiel é a vida e Capitu é a imagem da vida. Por volta do ano de 1899, o escritor atinge o apogeu. D. Casmurro disputa com Memórias Póstumas de Brás Cubas a pole position dos romances machadianos.
Em 1904, Machado publica Esaú e Jacó. Na visão de Afrânio Coutinho, “esse é um romance de linhas severas, repousado, em que a superior maestria dispensa o tema da paixão, do excepcional, para jogar com os sentimentos regulares. Os personagens perdem aqui a excentricidade que tinha auxiliado a muitos deles anteriormente a viver e a interessar; são humanos e modestos, e, apesar de tudo, anda no livro uma atmosfera velada, uma fuga para fora do tempo, uma perspectiva sobranceira sobre as contingências da vida, produzindo-lhe uma ressonância antiga, um gosto da obra lapidar, do objeto perfeitamente modelado.
A partir de 1904, a vida de Machado de Assis passa por profunda transformação. Falece a sua amada esposa Carolina de Novais. Os últimos quatro anos de sua vida são duros e sofridos, ao contrário dos dias de antanho, regulares e tranqüilos. Nasce, então, o seu último romance: Memorial de Aires. Diferentemente das obras anteriores, esse livro praticamente não tem enredo. Trata, basicamente, de dois idílios: o do casal Aguiar e o da viúva Fidélia com Tristão. O ar vetusto e saudoso desse último romance indica que a vida do escritor se aproxima do fim. O Conselheiro Aires é o autor desse memorial, que registra encontros, jantares, conversas e visitas, evocando atmosferas e estados psicológicos. A história do casal Aguiar faz a apologia da vida privada, lembrando a vida de Machado com Carolina, representado, no romance, por Dona Carmo. Embora melancólico, o Memorial é um depoimento em favor da vida. A presença de sua falecida esposa é palpável, a ponto de o escritor colocar na boca do Conselheiro Aires, seu alter ego, a seguinte frase, referindo-se à esposa morta: “Quando eu morrer, irei para onde ela estiver, no outro mundo, e ela virá ao meu encontro.” Machado está cansado da vida. Torna-se sensível e fácil de comover, procurando a companhia dos amigos para animar os seus últimos dias. Ninguém melhor do que Graça Aranha expressou o estado de espírito de Machado de Assis, no ocaso de sua existência, ao escrever: “É a transfiguração. Machado de Assis começa a morrer. E, na longa e triste agonia, a dor o transformara. A petulância do espírito foi convertida em mansidão, a ironia em piedade, a desconfiança em abandono, a dúvida em esperança de outra vida.
O Conto
Chegamos agora ao ápice da obra machadiana, no meu entender: o conto. Gênero difícil, mas desenvolvido por Machado com excepcional maestria. Creio que nenhum dos que aqui se encontram presentes desconheça, por completo. seus contos geniais, entre os quais gostaria de citar: O Alienista, A Igreja do Diabo, Missa do Galo, Conto de Escola, Teoria do Medalhão, D. Benedita, A Cartomante, A Causa Secreta, O Enfermeiro, Entre Santos, Verba Testamentária e Último Capítulo, entre tantos outros que merecem constar de qualquer coletânea que se faça desse gênero, em língua portuguesa, e diria mesmo, em qualquer idioma. Machado pode ser classificado como um contista urbano, mas prima pela análise psicológica e por decompor as almas de seus personagens. Um de seus críticos, Mário Matos, assim se expressa sobre o contista Machado de Assis: “Sem embargo de ser ágil estilista, é o menos literário de nossos conteurs. Conduzido pelo dom, pela vocação de contador de histórias, sabe encarar a vida diretamente e dar à narrativa a feição da oralidade, de modo a transmitir ao leitor a sensação de que está, não lendo, mas ouvindo contar. (...) Machado, no conto, não descreve, mostra, fala. Quando os personagens têm de se caracterizar, conversam uns com os outros, e eis porque vemos, continuamente, muitos diálogos nos contos.” Lembro-me do conto Entre Santos, onde vários santos, descidos dos altares, dialogam entre si, dissecando as mais íntimas intenções dos devotos que vêm implorar-lhes favores. Não é o mundo exterior que interessa ao escritor. O completo domínio que tinha sobre as palavras, sua imaginação prodigiosa e seu estilo refinado foram postos a serviço da análise das emoções e sentimentos de seus personagens. Sua arte, no dizer de Afrânio Coutinho, “é antes da transfiguração e interpretação da realidade do que da reprodução fotográfica. Daí o papel que o símbolo nela representa. E a função da atmosfera, que, às vezes, nela é tudo, como no conto Missa do Galo.” E continua Afrânio: “Machado era um espírito altamente imaginativo e operava no leitor, tanto pela emoção quanto pela inteligência, através de um penetrante e sagaz uso das forças analíticas do intelecto. Suas aventuras eram mentais, e o seu raro poder de evocar emoções presentes e duradouras, é o segredo da permanência e perenidade de sua obra.” “O Machado contista, volteia sempre, como no romance, na crônica e na poesia, em redor de temas nucleares em sua obra”, diz-nos Mário Matos. Tais temas são a indecisão, a dúvida, a idéia fixa de perfeição e a loucura” (Lembremo-nos de O Alienista). A busca da perfeição evidencia-se em mais de um de seus contos. É o caso do Pestana, em Um Homem Célebre, compositor de polcas bastante aplaudido, mas sempre descontente com suas produções musicais. Caso semelhante ocorre com o maestro Romão Pires, em Cantiga de Esponsais. Embora fosse um maestro competente, trazia em seu íntimo o descontentamento de não saber traduzir em notas musicais os acordes íntimos que o atormentavam. Vivia angustiado com um certo canto esponsalício, principiado três dias depois de casado e que nunca chegou a concluir. O conto termina com a morte do maestro, que levou para o outro mundo o pesar de não haver terminado o tal canto, causa de sua amargura ao longo de toda a sua vida. A loucura também merece lugar de destaque na galeria dos contos machadianos. O Alienista, o mais longo de seus contos e talvez o mais conhecido, explora, com sagacidade, a história de Simão Bacamarte, médico famoso, que decidiu internar em um hospício, a “Casa Verde”, os loucos de uma pequena cidade, Itaguaí. A cada internamento, Simão descobria uma loucura específica: ora era a modéstia excessiva, ora era o desejo de aparecer, ora era a megalomania. Ao final, o alienista conclui ser ele o único louco verdadeiro da cidade. A Segunda Vida é um diálogo entre um padre e um louco. Em Verba Testamentária surge a figura de Nicolau, indivíduo desequilibrado, que não suportava o sucesso alheio. Como ainda existem Nicolaus em nossa sociedade ! Finalizando, podemos afirmar que, através do conto, Machado de Assis atingiu o mais alto degrau de sua vida de escritor. Como bem assinala Mário Matos, os contos machadianos não são autobiográficos. “Neles não sentimos os recalques do autor de modo aparente ou direto. Fora o Conto de Escola, não há nos demais passagens ou trechos pelos quais se possa recompor o homem, ao contrário do que acontece no romance, na crônica, na poesia e mesmo na crítica. A história é a sua obra menos pessoal, do ponto de vista autobiográfico. É a menos amarga, por isso.
Senhor Presidente, confrades acadêmicos, amigos aqui presentes,
Este é um breve resumo da vida, obra e contexto histórico em que viveu Machado de Assis, nosso maior homem de letras. Neste mês de setembro, em que se comemora o centenário de sua morte, ocorrida em 29 de setembro de 1908, muitos têm sido os eventos que procuram evocar a figura excepcional do homenageado. E a Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes não poderia passar ao largo desta efeméride. Existem hoje, não apenas no Brasil, mas em diversos outros países, grupos de estudo da obra machadiana, que transcende o contexto histórico do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX para transformar-se em obra de caráter universal, dado que a alma humana, em todos os tempos, desperta o interesse de todos. Para concluir, apresento o depoimento de Antônio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras, que sintetiza tudo o que procurei mostrar nesta exposição:
“Machado é o grande introdutor da consciência trágica do destino humano na literatura brasileira, o que o crítico José Guilherme Merquior denominava, através de Machado, a introdução da problematização da existência em nossa literatura, porque, até então, mesmo no período romântico, não podemos dizer que tenha sido uma literatura superficial, longe disso, mas, evidentemente, certas visões de José de Alencar, de Bernardo Guimarães e de outros autores ainda correspondiam a um olhar dividido e maniqueísta da realidade, em que a alma humana seria boa ou seria má, seria elevada ou seria baixa, e não seria composta dessa mistura de tudo o que é, afinal, a marca do ser humano.
Machado teve a acuidade de introduzir em nossas letras essa consciência dilemática do ser humano que, em um momento, pode ser bom, noutro momento, pode ser ruim; num momento será grandioso, no outro será mesquinho, tudo isso convivendo na mesma consciência. Então, este passo fundamental, a meu ver, foi dado por Machado de Assis, e, por isso, nós todos somos tão gratos a ele.”
Muito Obrigado !
25/09/2008