quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
AILCA EM-FORMA -04
FOLCLORE
Nascimento de Luís da Câmara Cascudo (Natal, 30/12/1898). Foi um historiador, folclorista brasileiro. Escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas. IMPORTANTE...... Ninguém no Brasil, nem antes nem depois dele, realizou obra tão gigantesca com reconhecimento nacional e estrangeiro. (fonte/pesquisa → Wikipédia )
AILCA - Correspondência - 1
Ipu, 28 de dezembro de 2009
Caro(a) confrade(confreira),
Diante do registro da chapa AVANÇAR para dirigir os destinos da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), no biênio 2010-2011, em que figuramos como candidato a presidente, sentimo-nos estimulado a manter este 1º contato no sentido de:
1. Solicitar a sua inestimável presença na eleição, dia 16 de janeiro de 2010, 10h, no local indicado pelo edital, e que será bastante divulgado, a fim de, se for de seu entendimento e confiança, votar na chapa AVANÇAR.
2. Há necessidade de que haja uma votação expressiva, a fim de legitimar a eleição da nova diretoria.
3. Colaborar no sentido de lembrar a um confrade ou confreira para comparecer a referida eleição em nossa terra maravilhosa.
4. Estar em dia com a sua mensalidade até dezembro de 2009. Lembre-se: apenas R$ 10,00 por mês que pode ajudar a incrementar nossa entidade.
5. Convidá-lo para FAZER PARTE DE ALGUMA DAS COMISSÕES, especificadas abaixo, que serão criadas para contribuir com uma ação efetiva e progressiva da AILCA, visto que os ipuenses muito esperam de nós e nós podemos ajudar, com alguma ação, nossos conterrâneos. Comissão de Tecnologia e Informação; Comissão Artística; Comissão Científica e Tecnológica; Comissão Histórica; Comissão de Relações Institucionais; Comissão de Representatividade Popular.
6. Enviar-nos ideias que possam ser realizadas por nossa academia em favor de nossos conterrâneos.
Enfim, anexar a diretoria da chapa AVANÇAR. Todos merecem fazer parte da diretoria, mas a limitação da quantidade nos impede a incluí-los nela, mas você poderá participar como diretor das comissões que serão sugeridas.
Atenciosamente,
Sebastião Valdemir Mourão
(Candidato a Presidente da Chapa Avançar)
AILCA - CHAPA AVANÇAR-BIÊNIO 2010-2011
Presidente: Sebastião Valdemir Mourão
1º Vice-Presidente: João Martins de Souza Torres
2º Vice-Presidente: Francisco de Assis Martins
Secretário Geral: Cláudio César Magalhães Martins
Secretária Adjunta: Natália Maria Viana Soares Lopes
Diretor de Finanças: Abílio Lourenço Martins
Diretora de Finanças Adjunta: Maria do Carmo Cavalcante Aragão Magalhães
Diretora de Patrimônio: Maria da Conceição Viana
Diretor de Publicação e Marketing: João Pereira Mourão
Diretora Social: Maria das Graças Aires Martins
Conselho Fiscal
Presidente: Manuel Evander Uchôa Lopes
2º Conselheiro: Francisca Ayla Oliveira Costa
3º Conselheiro: Marcos Martins de Lima (representando a sociedade ipuense)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
ABC - Academia Brasileira de Ciências
ABC - A Academia Brasileira de Ciências foi fundada em 1916 e congrega os mais eminentes cientistas nas Ciências Matemáticas, Físicas, Químicas, da Terra, Biológicas, Biomédicas, da Saúde, Agrárias, da Engenharia e Sociais. || Aprenda e/ou reviva o “ABC” Esprema aqui: http://www.abc.org.br/
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Jáder de Carvalho
Literatura Cearense – JÁDER DE CARVALHO (Quixadá, 29/12/1901- Fortaleza, 7/08/1985) foi um jornalista, advogado, professor e escritor brasileiro. Pertenceu à Academia Cearense de Letras. Foi eleito Príncipe dos Poetas Cearenses, prêmio concedido o melhor dentre os poetas vivos do estado.
100tenário de Joaquim Nabuco
2010 - 17 de janeiro – 100tenário de morte de Joaquim Nabuco - político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
LETRAS - Preposições
A sós e a quem: preposições necessárias
O fragmento acima, relativo à gravação das imagens que envolvem o governador do Distrito Federal em escândalo de corrupção, merece duas observações do ponto de vista gramatical, ambas relacionadas ao emprego da preposição "a".
Em primeiro lugar, o que mais chama a atenção: "sós" no lugar da locução "a sós", o que pode ter sido um simples deslize de digitação, mas traz a oportunidade de discutir um caso de concordância.
A palavra "só" tanto pode ser um adjetivo (variável em número, singular e plural) como um advérbio (invariável). Assim: "Ela costumava viajar só" (sozinha), "Elas costumavam viajar sós" (sozinhas), mas "Elas só viajavam acompanhadas" (somente). A locução "a sós" é invariável: "Ele permanecia a sós com seus pensamentos durante horas", "Os dois queriam ficar a sós".
A outra questão diz respeito ao pronome "quem", que, não estando na posição de sujeito, é sempre antecedido de preposição. Assim: "Quem é você?" (sujeito), mas "Amo a quem me ama" (objeto direto), "Ajudo a quem precisa de mim" (objeto direto) etc. Observe que, nesses casos, o objeto direto ganha uma preposição e classifica-se como objeto direto preposicionado.
Abaixo, o texto reformulado:
...suas fitas atemorizaram a quem se reunia a sós com ele.
LETRAS - Construção refelxiva
"Entre si" é construção reflexiva
Do ponto de vista da tradição da língua, o pronome "eles" não está bem empregado na frase que encima este texto. Vamos entender por quê.
A notícia era a divergência entre os taxistas paulistanos sobre a adesão ao programa da Prefeitura de São Paulo de promoção de descontos nas corridas feitas às sextas-feiras e aos sábados à noite como estímulo à apelidada "lei seca". O temor da pessoa que proferiu a frase era, portanto, que os taxistas começassem a brigar entre si.
Afinal, qual é a diferença entre as construções "entre si" e "entre eles"? O ponto de distinção está na noção de reflexividade, que apenas a primeira carrega. Um pronome é reflexivo quando reflete o sujeito da oração em que aparece. Assim: "Os taxistas brigavam entre si", em que "si" reflete o sujeito "taxistas". O pronome "eles" pode referir-se a outro elemento do contexto.
O pronome "si", oblíquo tônico, é sempre precedido de preposição e pode ser reforçado pelas formas "mesmo" e "próprio", que devem concordar com o termo a que e referem. Assim: "Os taxistas brigaram entre si mesmos". Quando a preposição "com" antecede o pronome "si", aparece a forma "consigo". Assim: "Ele pensava consigo mesmo sobre aquilo".
A construção "entre eles" é correta quando não há reflexividade. Assim: "Havia um acordo entre eles". Se, entretanto, o pronome retomar o sujeito, o ideal será usar "entre si". Assim: "Eles tinham um acordo entre si".
Veja, abaixo, a frase reformulada:
Tenho até medo de os taxistas começarem a brigar entre si.
LETRAS - Acentos diferenciais
Nem todos os acentos diferenciais foram abolidos
De fato, o Acordo Ortográfico tem trazido ainda muita confusão. Como a maior parte dos acentos diferenciais realmente desapareceu, a tendência das pessoas é imaginar que todos tenham sido suprimidos.
A verdade, porém, é que dois deles permaneceram exatamente como eram antes da reforma: "pôr", a forma verbal, continua recebendo o circunflexo que o distingue da preposição "por", e "pôde", forma de pretérito perfeito do verbo "poder", mantém o acento em oposição à forma de presente do indicativo ("pode").
Também foram mantidos os acentos das formas de plural do presente do indicativo dos verbos "ter" e "vir" (eles têm, eles vêm) e do "porquê" na condição de substantivo (em oposição à forma "porque", que funciona como conjunção).
Dessa forma, nada mudou em frases como as seguintes: "Vai pôr [colocar]os livros na estante", "Caminhava por [preposição] estradas tortuosas", "Não pôde [passado] ir à reunião ontem", "Hoje ela não pode [presente] sair cedo", "Eles têm [plural] medo do futuro", "Ele tem [singular] muita sorte", "Eles vêm [plural] para cá todos os anos", "Ele vem [singular] aqui de vez em quando", "Não se sabe o porquê[substantivo]de sua decisão", "Tomou aquela decisão porque [conjunção] foi pressionado".
A palavra "forma" agora pode ter o acento ou não quando a pronúncia do "o" é fechada. Assim, pode-se escrever "a forma de bolo" ou "a fôrma de bolo". Por estranho que pareça, o acento é facultativo. Recomenda-se o seu uso, porém, apenas nos casos de possível ambiguidade.
Abaixo, a frase corrigida:
Quero pôr minha filha mais nova lá.
LETRAS - Pronomes "LHE" e "O"
Pronomes "lhe" e "o" têm funções diferentes
A confusão é das mais comuns. Quando usar os pronomes "lhe" e "lhes" e quando usar as formas "o", "a", "os" e "as"? A resposta para isso está na compreensão da sintaxe da oração.
Interessa aqui, basicamente, conhecer a predicação dos verbos: os transitivos diretos (aqueles que requerem um complemento não preposicionado) completam-se com os pronomes oblíquos átonos "o", "a", "os" e "as", de acordo com o gênero e o número do termo substituído; os transitivos indiretos que requerem a preposição "a" para introduzir seu complemento completam-se com os pronomes "lhe" e "lhes".
Dessa maneira, temos o seguinte: "O filho respeita os pais"/ "O filho respeita-os"; "O filho obedece aos pais"/ "O filho obedece-lhes". Vemos, assim, que é o complemento iniciado por "a" que pode ser substituído por "lhe"/ "lhes".
Observemos o que ocorre, por exemplo, com o verbo "ensinar". Há duas construções possíveis: "O mestre ensina a lição aos alunos"/ "O mestre ensina-lhes [a eles] a lição"/ "O mestre ensina-a [a lição] aos alunos"; "O mestre ensina os alunos a ler"/ "O mestre ensina-os a ler".
É a segunda construção que nos interessa mais de perto aqui. Há construções em que o verbo transitivo direto tem como complemento um segundo verbo regido pela preposição "a", com este formando uma espécie de locução. É o caso de "ensinar a fazer", "ajudar a fazer", "levar a fazer", entre outros. O primeiro verbo dessas locuções é transitivo direto e requer seu objeto. Assim: ensinar os alunos a ler, ajudar o filho a estudar, levar a professora a escrever etc. Ao empregar os pronomes, usaremos as formas de objeto direto. Assim: ensiná-los a ler, ajudá-lo a estudar, levá-la a escrever etc.
Veja, abaixo, o fragmento corrigido:
"Dou à professora os parabéns pelo alto nível dos seus alunos alfabetizados, que a levaram a escrever para a Folha."
LETRAS - Sujeito Indeterminado
"Trata-se de" é estrutura de sujeito indeterminado
O verbo "tratar" tem grande diversidade de empregos, mas há uma situação em particular em que, frequentemente, sua concordância é objeto de confusão.
O termo é usado com o sentido de "ter por assunto" ou "versar", o que se pode verificar em frases como as seguintes: "O livro trata de psicologia aplicada", "A palestra tratou de assuntos polêmicos" etc. Vê-se, nesses exemplos, que o verbo "tratar" é transitivo indireto e rege complemento introduzido pela preposição "de".
Como é bom lembrar, verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva. Assim, esse verbo, mesmo acompanhado da partícula "se", não está na voz passiva. A construção indica que o sujeito da oração está indeterminado (o "se" é o que chamamos de "índice de indeterminação do sujeito"). Assim, não há como esse verbo estar no plural (os verbos concordam com o sujeito; na ausência de um sujeito determinado, ficam na terceira pessoa do singular).
Em suma, do ponto de vista da concordância, que é o que nos interessa de imediato, basta lembrar que a estrutura de indeterminação do sujeito pressupõe o verbo na terceira pessoa do singular acompanhado do pronome "se".
Veja, abaixo, o trecho corrigido:
Trata-se de casos isolados, que, somados, causam prejuízos aos empresários da cidade.
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LETRAS - Paralelismo gramatical
Adjetivos requerem paralelismo gramatical
A frase não soou muito bem, mas fica a dúvida: afinal, há alguma impropriedade nela?
A resposta é afirmativa. Temos uma construção na qual dois predicativos de características semânticas opostas caracterizam um mesmo substantivo. Essa situação requer o paralelismo gramatical.
O primeiro deles é o adjetivo "boa", atributo do substantivo "impressão". O segundo, entretanto, não é um adjetivo. Trata-se agora de um advérbio - e aí está o motivo de a frase "soar mal".
A solução do problema é simples: no lugar do advérbio "devagar", usamos um adjetivo: "lenta" ou "vagarosa". Por certo, a estranheza desaparecerá.
Assim:
Impressão é boa, mas vagarosa.
LETRAS - Crase
Crase é a fusão de dois "aa"
(2) "A taxa de crescimento da frota foi igual a de Ribeirão."
De modo geral, pode-se dizer que não ocorre crase antes de nomes de cidades. O motivo disso é muito simples: esses nomes repelem o artigo como determinante - pelo menos, na maior parte dos casos.
As exceções (Rio de Janeiro, que requer o artigo, e Recife, em que há oscilação) não são pertinentes ao estudo da crase, já que são nomes masculinos.
Na frase (1), o redator acerta ao não usar o artigo antes da cidade de Bauru, mas equivoca-se ao usá-lo antes de Frankfurt. Só empregamos artigo antes de nomes de cidades em geral quando as adjetivamos: "Tinha saudade da Frankfurt de sua juventude", o que é diferente de "Tinha saudade de Frankfurt".
Nomes de países ou Estados não acompanham essa regra. Alguns são precedidos de artigo, outros não. Assim: Tinha saudade da Itália, Voltou de Cuba, Voltou da Espanha, Nasceu na Bahia, Viveu em Santa Catarina etc. Precedidos da preposição "a", ficam assim: Foi à Itália, Foi a Cuba, Foi à Espanha, Foi à Bahia, Foi a Santa Catarina etc.
A frase (2) peca pela falta do acento indicador de crase numa situação em que dois "aa" se fundem: o primeiro é a preposição (como ocorre sempre) e o segundo é o pronome demonstrativo "a", que substitui a palavra "taxa", evitando a sua repetição. "A taxa (...) foi igual à [taxa] de Ribeirão". Nesse tipo de construção, a substituição do termo feminino por um masculino facilita a percepção da estrutura sintática. Se, por exemplo, no lugar de "taxa", tivéssemos "nível", a frase seria a seguinte: "O nível de crescimento da frota foi igual ao de Ribeirão". Onde se lê "ao" com o termo masculino, lê-se "à" com o feminino.
Veja, abaixo as frases corrigidas:
Vamos poder ligar Bauru a Frankfurt.
A taxa de crescimento da frota foi igual à de Ribeirão.
LETRAS - Aposto - termo de natureza explicativa
Posição do aposto depende da intenção do texto
(2) "O líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante, quer mais tempo para senadores analisarem novo Código de Processo Penal"
(3) "Líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante quer mais tempo para senadores analisarem novo Código de Processo Penal"
O aposto é, na maior parte das vezes, um termo de natureza explicativa que se posiciona entre vírgulas depois de um termo fundamental. Assim: "Tiradentes, o mártir da Independência, nasceu na fazenda do Pombal".
Note-se que o aposto é gramaticalmente um termo acessório, o que equivale a dizer que sua importância é secundária. Daí as frases normalmente enfatizarem o nome de alguém, que vem seguido de seu cargo ou função na forma de aposto. Assim: "Fulano, gerente da Divisão de Vendas da empresa, considera-se preparado para os desafios do novo ano". A construção (1) segue exatamente esse modelo.
Ocorre, entretanto, que, do ponto de vista jornalístico, a importância das pessoas está ligada ao cargo ou posição que ocupam, donde a ênfase das frases recair sobre o cargo, que, consequentemente, costuma aparecer antes do nome próprio da pessoa, passando este para a posição do aposto. Veja a construção (2).
Do ponto de vista gramatical, (1) e (2) são construções corretas - varia entre elas a ênfase, que recai sobre o primeiro elemento da frase. Note-se, porém, que, ao iniciar o período pelo nome comum (designativo do cargo), o artigo se faz obrigatório, como se vê em (2).
Existe uma terceira construção, na qual o aposto aparece recuado, anteposto ao termo fundamental. Essa estrutura pressupõe, todavia, uma intenção um tanto diferente por parte do redator. O aposto que pode ser recuado é aquele de caráter circunstancial, que poderia ser antecedido de expressões como "na condição de", "na qualidade de", "como" e até "quando". Assim: "[Na condição de] Novo reforço do Vasco, atacante Dodô veste a camisa do time no Rio pela primeira vez depois de sair do hospital".
Não é, portanto, qualquer informação que se encaixa nessa estrutura - é preciso que se trate de atributo circunstancial e que essa condição seja importante para que se compreenda o restante da oração. É por esse motivo que a construção (3) é inadequada. Querer mais tempo para os senadores analisarem o novo Código de Processo Penal independe de Aloísio Mercadante ser "líder do PT no Senado". Essa informação (a posição do senador) tem valor jornalístico, mas deve ser transmitida por meio de uma das duas construções anteriores, (1) ou (2).
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LETRAS - Regência Verbal
Regência verbal: variar de... a..., oscilar entre... e...
Por Thaís Nicoleti - uol Educação - 221209
(2) "Até agora, só foram encontradas árvores em Ubatuba (SP) e Paraty (RJ), crescendo entre 1.000 m e 1.270 m de altitude, e com altura variando entre um metro (quase um arbusto) e 9 m.
Nos trechos acima, a regência do verbo "variar" sofre desvio da norma culta. Alguma coisa varia de um ponto a outro, não entre um ponto e outro. Emprega-se com esse verbo o par de preposições "de... a", que indica o ponto de partida e o ponto de chegada.
A preposição "entre" tem sentido um pouco diferente: aquilo que está entre os pontos A e B não está nem em A nem em B, mas no intervalo entre eles. É por isso que uma construção como "As inscrições poderão ser feitas entre os dias 20 e 30" rigorosamente quer dizer que as inscrições poderão ser feitas do dia 21 ao dia 29...
Com o verbo "oscilar", a preposição "entre" é perfeitamente aceita: algo oscila, portanto entre dois pontos. Com o verbo "variar", entretanto, a norma permanece inalterada: "variar de... a".
Assim, o trecho (1), que explica os resultados de uma pesquisa de intenção de voto feita no Rio de Janeiro, poderia ser reformulado da seguinte maneira:
Ao ser substituído por seu hoje aliado Cesar Maia (DEM), o ex-prefeito do Rio alcança um índice de intenção de voto que oscila entre 12% e 13% do eleitorado.
Já o trecho (2) poderia ficar da seguinte forma:
Até agora, só foram encontradas árvores em Ubatuba (SP) e Paraty (RJ), crescendo entre 1.000 m e 1.270 m de altitude e com altura variando de 1 m (quase um arbusto) a 9 m.
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LETRAS - Construção Sintática
Construção defeituosa pode levar a falsa interpretação do texto
A notícia tem um componente bizarro, mas, do modo como foi redigida, a situação ainda pode parecer mais estranha do que, de fato, é.
O fato incomum, mas real, é que um homem preso foi empossado no cargo de prefeito; o que o defeito de sintaxe poderia dar a entender (não fosse o termo "juízes" estar no plural) é que os magistrados estavam presos e, mesmo assim, concederam a Cavalcante a autorização para tomar posse.
O defeito da construção sintática está no fato de o período iniciar-se com um predicativo que não se refere ao sujeito. A expressão "mesmo preso", dada a sua posição, é entendida como atributo do sujeito ("os juízes") - é a concordância (no plural) que nos leva a atribuir a condição ao objeto ("Cavalcante"). Imagine que a autorização viesse de apenas um juiz: "Mesmo preso, o juiz da 17ª Vara Criminal autorizou Cavalcante a tomar posse...". Isso parece suficiente para atestar a impropriedade da construção.
Há várias maneiras de reformular o pensamento. Talvez a mais simples seja colocar "Cavalcante" na posição de sujeito: "Mesmo preso, Cavalcante..." e fazer os ajustes necessários. Veja, abaixo, a sugestão:
Mesmo preso, Cavalcante recebeu dos juízes da 17ª Vara Criminal autorização para tomar posse como prefeito. Ele deixa a prisão e ainda nesta sexta-feira segue para o município, a 63 km de Maceió, para ser empossado
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sábado, 19 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
LETRAS - Concordância
Concordância com porcentagem requer atenção
Por Thaís Nicoleti - uol educação 171209
(2) Podem ser aplicados em fundo até 30% do FGTS
(3) Os 30% do FGTS que o trabalhador aplicar no fundo renderão 3% ao ano.
A regra gramatical nasce da regularidade do uso da língua - e isso vale para o léxico, para as construções sintáticas e até mesmo para escolhas de natureza estilística. Quando o assunto é a concordância verbal, o mais frequente, isto é, a regra é que o verbo entre em acordo com o núcleo do sujeito.
Isso, entretanto, nem sempre acontece. Há casos em que a tendência dos usuários da língua é a concordância com um elemento que não é o núcleo do sujeito, mas um termo que especifica o núcleo.
É esse o caso de sujeitos formados de uma porcentagem seguida de um especificador. Embora o número seja o núcleo do sujeito, a tendência é fazer o verbo concordar com o termo que lhe é mais próximo (daí a expressão "concordância atrativa", usada para casos como esse).
É possível que a explicação para isso esteja ligada ao fato de que a porcentagem é um elemento bem mais abstrato do que aquele que a segue na condição de especificador - é mais "natural" concordar com a palavra que tem carga nocional mais forte. Daí a preponderância da concordância atrativa em sujeitos cujo núcleo é uma porcentagem. Veja-se a construção (1).
É importante lembrar, porém, que, se o verbo anteceder o sujeito (inversão sintática), o termo mais próximo será a porcentagem - e com ela deverá concordar. Veja a construção (2).
Finalmente, se o número que expressa a porcentagem for antecedido de artigo, o verbo concordará com ele, não se aplicando, portanto, a concordância atrativa. Veja a construção (3).
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LETRAS - Disse Onário
Palavra do dia
nuança
Em artigo no jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre, no início de dezembro, o psicanalista e escritor Celso Gutfreind escreveu: “Ao crescer, esta criança amadurece, estreita laços, alarga horizontes. Então conquista a nuança além do bem e do mal (Nietzsche) e descobre que, de um extremo a outro, há vãos e entrelinhas”.
A palavra “nuança” é um substantivo feminino que tem origem na palavra francesa 'nuance'. O termo, no “iDicionário Aulete”, é definido da seguinte forma (no caso, definição 1):
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
LETRAS - Professora Cleonice toma posse na ABL
| Cleonice Berardinelli entra para a Academia Brasileira de Letras |
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LETRAS - Marcos Vinicios Vilaça é eleito presidente da ABL
Pernambucano de 70 anos já presidiu instituição em 2006 e 2007.
Eleição ocorreu nesta quinta na sede da Academia Brasileira de Letras.
Do G1, em São Paulo
Marcos Vinicios Vilaça, novo presidente eleito da ABL
O advogado, escritor, ensaísta e professor pernambucano Marcos Vinicios Vilaça, 70, foi eleito para a presidência da Academia Brasileira de Letras em cerimônia realizada na sede da instituição, no Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira (10).
Escolhido por unanimidade, Vilaça, que ocupa desde 1985 a cadeira de nº 26, já presidiu a ABL nos anos de 2006 e 2007. Ele assume o cargo das mãos de Cícero Sandroni, eleito em 2007 e reeleito em 2008.
Também fazem parte da chapa encabeçada por Vilaça a escritora Ana Maria Machado, que será nomeada secretária-geral da ABL; Domício Proença Filho, primeiro-secretário; Luiz Paulo Horta, segundo-secretário; e Murilo Melo Filho, tesoureiro.http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1410996-7084,00-MARCOS+VINICIOS+VILACA+E+ELEITO+PRESIDENTE+DA+ABL.html
LETRAS - Disse Onário
TÍTERE
A Agência Estado publicou, em 4 de dezembro, uma reportagem em que se podia ler o seguinte texto: 'É preciso dizer que Sarkozy, feliz por ter conseguido colocar um títere seu no centro do sistema financeiro da Europa, Michel Barnier, não conseguiu evitar uma demonstração de força, como é de hábito, dizendo que "a crise surgiu da deriva do modelo anglo-saxão” ' .
A palavra “títere” é um substantivo masculino que tem a sua origem no termo castelhano de grafia similar. Na forma em que foi abordada no texto acima, o “iDicionário Aulete” a define em sua acepção 3, como pode ser visto logo abaixo:
No dicionário
(tí.te.re)
sm.
1. Boneco que se move por cordéis ou engonços manipulados por pessoa oculta
2. Fig. O mesmo que testa de ferro
3. Fig. Governante sem poder ou posição própria, que representa interesses alheios
4. Fig. Indivíduo frouxo de caráter e facilmente manipulável
a2g.
5. Sem posições próprias, que representa interesses de outrem (administração títere)
[F.: Do cast. títere. Sin. ger.: fantoche; marionete; bonifrate ]fonte: Dicionário online Caldas Aulete | Palavra do dia
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
LETRAS - Sintaxe
Uma questão de sintaxe: previsto para
No fragmento acima, temos o particípio do verbo "prever" empregado de forma inadequada - pelo menos, se levarmos em conta que "prever" significa antever algum fato, algo projetado no futuro, como as célebres previsões astrológicas para o ano novo.
Dizemos, assim, que algo está previsto para algum momento (para quando?), não para "ocorrer" ou para qualquer outra ação. Na construção "peça do Orçamento prevista para ser votada hoje", a ideia era dizer que a votação da peça estava prevista para hoje. O que se observa nessa formulação é que o substantivo abstrato (que nomeia as ações, como "votação") foi substituído pelo verbo que indica a ação posto, na voz passiva, como complemento do verbo "prever" (para ser votado).
Talvez a origem do problema esteja na dificuldade de empregar o substantivo abstrato para indicar ações. Assim, lemos quase todos os dias frases como "O espetáculo está previsto para estrear amanhã" (no lugar de "A estreia do espetáculo está prevista para amanhã") ou "O resultado está previsto para chegar amanhã" (no lugar de "A chegada do resultado está prevista para amanhã").
Abaixo, duas sugestões de reformulação do trecho em questão:
A peça do Orçamento paulista de 2010 que deve ser votada hoje na Câmara Municipal aponta a destinação de R$ 45 milhões para o sistema da prefeitura de atendimento aos cidadãos.
A peça do Orçamento paulista de 2010 com votação prevista para hoje na Câmara Municipal aponta a destinação de R$ 45 milhões para o sistema da prefeitura de atendimento aos cidadãos.
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ARTES - Coral Vozes do Ipuçaba

Como é maravilhoso sentir a pureza das crianças, principalmente em época natalina, quando elas nos passam àquela sensação de paz!... Foi isso que aconteceu comigo e acredito que também com todos os que assistiram a apresentação do Coral Infantil “Vozes da Esperança”, organizado e orientado pela professora Graça Aires.
As crianças com ar de descontração, deram um SHOW de apresentação interpretando músicas natalinas no gabinete do Sr. Prefeito Municipal Sávio Pontes, que foi surpreendido com um “Bom Dia” diferente, em clima natalino, através daquelas vozes infantis, intercaladas por mensagens natalinas que nos levaram a refletir sobre a grande importância do natal do Senhor.
Além da presença do Sr. Prefeito, estava a chefia de gabinete, os funcionários dos setores que funcionam na sede da prefeitura, o Sr. Pedro Josino (Secretário de Finanças e pai do Sr. Prefeito) outras pessoas que se encontravam naquele momento na prefeitura, como o ex-prefeito de Tianguá Sr. Gil Moita, além dos pais das crianças que as acompanhavam e que se emocionaram com a apresentação.
Eu tive o prazer de assistir minha filha Kamila (a solista do coral) interpretando “noite feliz” e outras músicas. Ao violão, estava o prof. Raimundo Augusto, naquela harmonia musical.
O coral é um projeto da professora Graça Aires, lançado em 2005, apresentado pela primeira vez na igreja em noite de natal e na confraternização natalina do Lions Clube.
Hoje, as apresentações se expandem às repartições públicas, praças, escolas e festinhas natalinas. Tivemos, pois, o prazer de compartilharmos desde momento, que ocorreu no dia 10 de dezembro de 2009, às 10h no Gabinete do nosso prefeito.
Parabéns a professora Graça Aires pelo projeto “Vamos cantar o natal do Senhor”. Parabéns às crianças e o nosso incentivo para continuarem neste ritmo de cultura e paz em forma de canção.
Fonte: blog FATOS EM DEBATE
LETRAS - AMBIGUIDADE
Convém evitar as ambiguidades
Não é necessário muito esforço para perceber que a ordem dos termos no título acima não foi das mais felizes.
A expressão "com propaganda" naturalmente está ligada ao verbo "gastar" (gastar o dinheiro com propaganda), mas, colocada depois de outra ação verbal ("ser arrecadado"), passa a ser, do ponto de vista gramatical, ligada a esta última.
Assim, está dito que parte IPTU será arrecadada com propaganda. É claro que o leitor rechaça essa interpretação por saber o que significa a sigla IPTU (suponhamos que o redator tivesse usado apenas a palavra "imposto" no lugar de IPTU... o estrago seria ainda maior).
O fato é que não seria difícil evitar essa ambiguidade. Bastaria deslocar os termos. Veja abaixo:
Kassab gastará com propaganda parte do IPTU que será arrecadado
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LETRAS - Assistir
Verbo "assistir" resiste como transitivo indireto
Por Thaís Nicoleti - uol educação 11/12/2009
Aqui temos dois casos de regência verbal. Em primeiro lugar, observe-se que a preposição "de" é desnecessária na ligação do verbo "ser" com o seu predicativo oracional ("que o vídeo...").
Para facilitar o raciocínio, lembre-se de que as estimativas são "estas" (não "destas"). O motivo da confusão não é difícil de adivinhar: o termo "estimativas" rege complemento iniciado pela preposição "de" (estimativas de algo). Ocorre, porém, que a oração subordinada ("que o vídeo...") é o predicativo do sujeito "estimativas", não o seu complemento. Seria complemento num período como "As estimativas de que o vídeo (...) foram confirmadas", no qual a preposição é mesmo necessária, pois a oração está presa no substantivo.
O segundo ponto a observar no fragmento é o emprego do verbo "assistir". Embora haja franca tendência ao seu uso como transitivo direto, o que justificaria a voz passiva, a norma culta ainda não acolheu tal construção. Se continuamos empregando a preposição "a" em "assistir ao vídeo" (no sentido de "ver" ou "presenciar"), não há como justificar a voz passiva desse verbo (na passiva, o objeto direto da ativa transforma-se em sujeito).
Fato que agrava essa situação é a existência do verbo "assistir" como transitivo direto com o sentido de "prestar assistência". Isso faz que "foi assistido" seja sinônimo de "foi auxiliado". Daí mantermos a distinção entre as construções, uma sem e outra com preposição.
Veja, abaixo, uma sugestão de reformulação do fragmento:
Ela não venceu a competição, mas as estimativas são que o vídeo de sua apresentação tenha sido visto 310 milhões de vezes na internet.
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LETRAS - ACESSAR - Verbo restrito à informática
Acessar: termo restrito à área de informática
O período acima foi extraído de notícia sobre a morte de uma moça em decorrência de erro médico. Existe a possibilidade de que o soro tenha vazado no tórax da paciente, o que a teria levado à morte. Isso pode ter sido causado pela imperícia do profissional, que pode não ter conseguido encontrar a veia dela.
O médico alega, em sua defesa, ter certeza de que conseguiu "acessar" a veia da paciente. Agora, o problema é linguístico. O verbo "acessar" surgiu no Brasil (é considerado um brasileirismo) e, sob a rubrica "Informática", significa "obter acesso a (informação, dados, processos, dispositivos etc.)", conforme registra o dicionário "Houaiss".
Assim, é adequado usar esse verbo quando o assunto é informática: acessar um arquivo, acessar a memória do computador etc. Em outras situações, esse uso é impróprio: em vez de "acessar a marginal por um atalho", "pegar um atalho de acesso à marginal", por exemplo. O termo "acesso" é de amplo espectro semântico. O verbo tem uso restrito à área de informática, na qual surgiu entre outros neologismos (deletar, inicializar etc.).
Basta lembrar que ninguém substituiu o verbo "iniciar" por "inicializar" em situações comuns do dia a dia. Alguém "inicializa" uma reunião? Não. O mesmo vale para o verbo "acessar" - termo técnico da informática.
Veja, abaixo, uma sugestão de reformulação do texto:
Batista argumentou que estava convicto de ter conseguido encontrar a veia de Helen e que não havia tempo para fazer o raio-X.
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LETRAS - Infinitivo
Infinitivo flexionado: dois casos
.(2) A atitude do professor levou os estudantes a se esforçarem mais.
(3) O pai deixou os filhos saírem.
(4) O pai deixou-os sair.
O emprego do infinitivo flexionado é um dos tópicos gramaticais que mais oferecem dúvida aos redatores. Aqui se comentam dois casos que, embora parecidos à primeira vista, são estruturalmente diferentes.
Nos períodos (1) e (2), temos a locução "levar (alguém/ algo) a (infinitivo)", na qual o infinitivo apresenta uma ação atribuída ao objeto direto de "levar". O que muita gente faz, inadvertidamente, é flexionar o infinitivo para fazê-lo concordar com o objeto direto de "levar" ("levou as empresas a investirem"), como se ele fosse o sujeito desse infinitivo.
Embora nessa seara muitas interpretações sejam possíveis, o mais usual é que esse infinitivo permaneça invariável, como um complemento de "levar" - ou entendido como o segundo verbo de uma locução. Daí a construção (1).
Ocorre, porém, que, sendo o infinitivo um verbo pronominalizado (por ser, de fato, pronominal, como "arrepender-se" ou "orgulhar-se", ou por indicar ação reflexiva ou recíproca, como "cumprimentar-se" ou "olhar-se"), a flexão é inevitável. Daí a construção (2).
Esses casos não devem ser confundidos com os dois seguintes. Em (3) e (4), temos outro tipo de estrutura. Note-se que inexiste a preposição "a" a ligar as duas formas verbais: "deixar (alguém/algo) infinitivo". Isso ocorre com os auxiliares causativos (mandar, deixar, fazer) e sensitivos (ver, ouvir, sentir), que têm por objeto direto a segunda oração do período ("os filhos saírem", no terceiro exemplo). Assim, a flexão do infinitivo justifica-se porque o verbo concorda com seu sujeito ("os filhos" é sujeito de "saírem").
Embora em (4) se diga exatamente o mesmo que em (3), o infinitivo não se flexiona. Ocorre que, sendo um pronome de objeto direto, o pronome oblíquo átono ("os") não pode atrair a concordância verbal (o verbo só pode concordar com o sujeito). Assim, na construção (4), a flexão não ocorre.
Na construção (3), na ordem em que estão os termos, o mais comum é realmente a flexão, pois o elemento "os filhos" é percebido como sujeito de "saírem" e a oração inteira ("os filhos saírem") é percebida como objeto direto de "deixou".
Não será impossível, no entanto, vermos essa estrutura com verbo invariável ("ouvindo pássaros cantar", como nos lembra um conhecido verso da música popular brasileira). Excetuando-se esse caso, que, por estar inserido em texto musicado, sofre influência de outros fatores, vamos encontrar esse tipo de construção sobretudo na ordem inversa (o infinitivo antes do sujeito). Assim: "O pai mandou sair da sala os filhos".
São vários os casos e, oportunamente, serão abordados neste espaço.
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LETRAS - ADJETIVO
Posição do adjetivo leva a leitura indevida
Mais uma vez, vamos falar sobre a ordem dos termos da frase. O título em epígrafe encimava um texto sobre a proposta feita pela ministra Dilma Rousseff na conferência sobre o aquecimento global, em Copenhague.
Antes que nos perguntemos o que seria um "clima tímido", deixemos claro que "tímidos" foram os números do acordo proposto. A falta de ousadia traduziu-se numa meta global (a ser cumprida até 2050) de corte da emissão dos gases que provocam o efeito estufa da ordem de 50% do que tinha sido proposto em 1990.
A timidez, portanto, é uma característica não do clima, mas do acordo. A sequência escolhida pelo redator leva a uma leitura equivocada, naturalmente desfeita pelo leitor que acompanha o noticiário, mas não sem um sorriso - afinal, do ponto de vista gramatical, as duas leituras podem ser feitas e a tendência dos usuários da língua é associar o adjetivo ao termo que lhe é mais próximo (sobretudo quando a concordância favorece isso).
Abaixo, uma sugestão:
Dilma defende acordo tímido do clima
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Literatura cearense - José Parente
Lançamento
Memória fragmentada
De Quixadá a Paris, passando por Manaus e Brasília. As vivências foram muitas, e as histórias e reflexões, as mais variadas: (quase) todas reunidas em A Casa de Todos Mundo, de José Parente. O livro é lançado hoje, às 19h, no Centro Cultural Oboé
Alinne Rodrigues
alinnerodrigues@opovo.com.br
14 Dez 2009 - 00h50min - jornal O Povo
José Parente é sociólogo. Ensina na Universidade de Brasília, mas é professor desde a adolescência, quando deixava seu Quixadá para ganhar a Serra de Baturité, em um programa de alfabetização tocado pela Igreja.
Nasceu em Camocim, mas foi na terra da Galinha Choca que se criou, brincando entre as pedras. As histórias do menino, do educador, do pai, e dos vários papéis interpretados por Parente ao longo de quase 60 anos de vida agora estão escritas em A Casa de Todo Mundo.
Não como um livro de memórias, mas de reflexões, em uma espécie de filosofia do cotidiano. "A verdade é que eu andei filosofando muito", brinca o autor. "Queriam que eu contasse só -causos-, mas o livro acabou sendo mais. Caminha na fronteira meio perdida da filosofia, da psicologia e da sociologia. Mas não contém receitas, nem é acadêmico. É mais a reflexão do dia-a-dia de uma pessoa comum para pessoas comuns. E também retrata um pouco a história da minha geração, a geração do pós-1964, de um período antidemocrático, quando todo mundo buscava fazer alguma coisa``, define.
Professor Parente deixou o Ceará em 1975 e, dois anos depois, foi parar na Europa. Morou em Paris, no período pré-anistia. De lá foi para Pará, Goiás, Brasília. O primeiro livro, Planejamento Estratégico na Educação (segunda edição de 2003), versa é um manual para educadores. O segundo, Afine sua Viola (2009), é que inaugura a entrada de José Parente na literatura.
"Em 2003, uma filha minha estava nos Estados Unidos fazendo doutorado. Estava triste, querendo desistir, e eu, tentando animá-la, escrevi um e-mail pra ela. Esse e-mail ficou tão grande que eu transformei num livro``, conta. Na obra, de formato pequeno, para você levar no bolso e ler em todo lugar, ele faz um paralelo entre o homem e os instrumentos de corda. ``No dia-a-dia, a gente desafina um pouquinho. Perde a afetividade com o filho, entra no cheque especial, adquire uns quilinhos a mais... Mas sempre se pode pedir perdão e consertar o que desandou``, explica.
Hoje à noite, no Centro Cultural Oboé, José Parente retorna ao Ceará e reúne os amigos em torno do lançamento de A Casa de Todo Mundo. Um retrato do tempo que passou por aqui e por aí. Foram "uns quatro ou cinco anos" até a conclusão do projeto deste terceiro livro. O motivo da demora? "Eu não sou escritor profissional. Sou sociólogo, trabalho com educação. Mas, nas horas vagas, eu descanso carregando pedra", diz, referindo-se ao ofício de escritor. "Escrevo nos aviões, quando estou viajando, em reuniões cansativas, discussões intermináveis. Nesses momentos, coloco minha mente no Quixadá, em Manaus, em Alto Paraíso, em Goiás. E quando vem a inspiração", conta.
Na capa azulada (a arte é do arquiteto Alexandros Xavier), uma casa é representada com todos os seus personagens: pais, avós, netos, amigos. A casa é, sim, de todo mundo. O título foi sugestão de Lucas, neto de José Parente. O ano era 2004, e, em Brasília, onde é radicado, trocou o pequeno apartamento por uma casa. O filho voltou a morar com ele enquanto construía a própria casa; a filha voltou dos Estados Unidos e também ficou na mesma casa: ``Um dia, eu fui buscar meu neto na escola, e ele estava meio enjoado. Para animá-lo, disse que a gente estava indo para -a casa do Luquinha-. E ele me disse que aquela não era a casa dele, era a casa de todo mundo". O momento entre avô e neto deu origem a uma crônica, que acabou nomeando o livro. Com histórias de tons tão variados, fica difícil resistir ao convite para entrar e tomar um cafezinho.
SERVIÇO
A CASA DE TODO MUNDO - Livro de José Parente. Editora Nelpa, São Paulo. 137 páginas. Preço: R$ 28. Lançamento hoje, 14, às 19h, no Centro Cultural Oboé (rua Maria Tomásia, 531 - Aldeota). Outras informações: 3264 7038.
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LETRAS - Palestra sobre Memorização
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